A NRF 2026 abriu suas portas com uma tese central: o varejo atingiu maturidade tecnológica onde a inovação não é mais um acessório, mas a espinha dorsal da operação.
O foco das discussões no primeiro dia deixou de ser a experimentação digital para se concentrar em como a execução precisa e a autonomia dos sistemas podem garantir a sobrevivência em um mercado de margens estreitas.
Três momentos traduziram essa transformação ao longo do dia inaugural no Javits Center:
A abertura oficial, com John Furner (Walmart US) e Ed Stack (DICK’S Sporting Goods), discutiu a resiliência do varejo e a importância de equilibrar a inovação tecnológica com a conexão humana. A apresentação destacou que a automação deve servir para empoderar o colaborador da ponta, transformando a loja física em um destino de experiência e resolvendo problemas reais de logística e atendimento através da "escuta ativa" do consumidor., discutiu a resiliência do varejo e a importância de equilibrar a inovação tecnológica com a conexão humana. A apresentação destacou que a automação deve servir para empoderar o colaborador da ponta, transformando a loja física em um destino de experiência e resolvendo problemas reais de logística e atendimento através da "escuta ativa" do consumidor.
Logo em seguida, o painel liderado pelo Google Cloud, detalhou como a inteligência artificial evoluiu de simples assistentes para agentes autônomos capazes de executar transações completas. A discussão abordou o lançamento do Universal Commerce Protocol (UCP), permitindo que a IA tome decisões em tempo real, gerencie estoques e personalize a jornada de compra de ponta a ponta sem a necessidade de intervenção humana constante.
Por fim, o anúncio do novo ciclo estratégico do Magazine Luiza revelou o foco da companhia em rentabilidade e no uso da IA para o reequilíbrio dos negócios em 2026. A discussão destacou como a marca está utilizando a "Lu" como um cérebro agêntico para otimizar operações, enfrentando desafios como as mudanças de comportamento de consumo e a consolidação do Retail Media como uma nova e fundamental fronteira de receita.
Em conjunto, os painéis revelaram um ponto importante:
As decisões em tempo real, impulsionadas pela IA operacional e agêntica, transformarão as operações de vendas e fidelização. O sucesso no varejo de 2026
será definido pela capacidade de unir a precisão dos dados com a empatia humana, permitindo uma adaptação instantânea às necessidades do consumidor.
O equilíbrio entre automação e a conexão humana no varejo
O painel de abertura da NRF 2026 apresentou uma visão profunda sobre como as gigantes do setor estão utilizando a tecnologia não para substituir, mas para potencializar o fator humano. John Furner (Walmart US) e Ed Stack (DICK’S Sporting Goods) discutiram a necessidade de tornar a inovação "invisível" na operação, permitindo que o foco total volte para o cliente. A apresentação destacou que a automação deve servir como suporte para empoderar o colaborador da ponta, transformando a loja física em um centro de experiência e serviços que a internet não consegue replicar sozinha.
Pontos principais do painel de abertura:
Empoderamento do Colaborador: A tecnologia é aplicada para eliminar tarefas burocráticas e repetitivas, como a contagem de estoque manual. Isso libera o time de vendas para atuar como consultores especializados, garantindo que o atendimento humano seja o grande diferencial competitivo da marca.
A Loja como Destino: Ed Stack detalhou como o conceito "House of Sport" utiliza dados para criar comunidades locais. A loja deixa de ser um depósito de produtos e passa a oferecer experiências (como pistas de corrida e áreas de teste), onde a tecnologia monitora o engajamento para ajustar o mix de produtos em tempo real.
Logística com Escuta Ativa: A utilização de sensores e feedbacks imediatos permite uma logística responsiva. O varejo agora utiliza a "escuta ativa" para prever rupturas e ajustar rotas de entrega antes mesmo que o consumidor sinta o problema, garantindo uma eficiência operacional sem precedentes.
A IA Agêntica criando o novo padrão universal de consumo
No palco principal da NRF 2026, Sundar Pichai, CEO do Google e da Alphabet, apresentou como a companhia está liderando a transição do varejo para a era da IA Agêntica. A discussão focou em como a tecnologia deixou de ser uma interface de busca para se tornar um agente de execução capaz de gerenciar a jornada de compra de ponta a ponta. Pichai detalhou o lançamento do Universal Commerce Protocol (UCP), um padrão aberto que permite que diferentes sistemas de varejo se conectem para realizar transações autônomas, garantindo que a IA trabalhe como o motor invisível da rentabilidade e da eficiência.
Pontos principais do painel de IA Agêntica:
Da Sugestão para a Ação: Sundar Pichai explicou que o diferencial de 2026 é a capacidade de execução. Os novos "Agentes de IA" não apenas recomendam produtos; eles têm autonomia para processar pagamentos, gerenciar devoluções complexas e negociar prazos de entrega diretamente com o sistema logístico, reduzindo drasticamente o custo operacional.
Protocolo Universal (UCP): O Google posicionou o UCP como a linguagem comum do varejo global. Esse protocolo permite que a inteligência de uma marca se integre instantaneamente a ecossistemas de terceiros, eliminando a fragmentação de dados e permitindo que o varejo funcione de forma fluida, independente da plataforma utilizada pelo consumidor.
Inteligência Multimodal e CX: O uso do modelo Gemini permite que os agentes entendam fotos de produtos, comandos de voz e histórico de comportamento simultaneamente. Isso cria um nível de personalização em tempo real que Pichai descreveu como "o fim das interfaces estáticas", onde a loja se adapta visualmente e funcionalmente para cada indivíduo no momento da interação.
O reequilíbrio estratégico entre rentabilidade e IA no Magalu
O painel com Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza, marcou um ponto de viragem para a estratégia da companhia em 2026. A discussão centrou-se no conceito de "reequilíbrio", sinalizando que, após anos de expansão agressiva e investimentos em infraestrutura, o foco agora é a margem e a saúde financeira. Trajano apresentou como o Magalu está a integrar a inteligência artificial agêntica não apenas como uma interface de apoio ao cliente (a "Lu"), mas como o cérebro que gere o ecossistema de marketplace, logística e Retail Media para garantir a rentabilidade em cada transação.
Pontos principais do painel do Magalu:
Foco Total em Rentabilidade: Frederico Trajano destacou que 2026 é o ano do equilíbrio operacional. O objetivo é utilizar a tecnologia para extrair o máximo de margem de cada venda, otimizando custos logísticos e de aquisição através de uma gestão de dados mais rigorosa e eficiente.
A Evolução da "Lu" para Agente: A assistente virtual do Magalu evoluiu para uma camada de IA agêntica. Agora, ela tem autonomia para intervir na gestão de inventário dos parceiros do marketplace e personalizar ofertas em tempo real, agindo como uma consultora de negócios que equilibra a oferta e a procura de forma dinâmica.
Retail Media como Motor de Receita: A discussão abordou como o Magalu Ads se tornou uma peça central para a rentabilidade. Através da inteligência artificial, a marca consegue prever comportamentos de consumo (como as mudanças trazidas por novas tendências de saúde e bem-estar) e oferecer espaços publicitários hiper-segmentados, transformando dados em receita direta.
O ponto em comum
Tanto o painel sobre o novo padrão universal de consumo com o Google, quanto as discussões estratégicas do Walmart, DICK’S Sporting Goods e Magalu, chegaram ao mesmo diagnóstico: o verdadeiro desafio do varejo não é apenas a tecnologia em si, mas como ela é integrada e aplicada para gerar valor real através da IA Agêntica.
Na operação: A transição para modelos agênticos exige uma integração profunda de dados; sem isso, a automação não consegue executar tarefas complexas ou gerenciar estoques de forma autônoma. Marcas precisam garantir que a tecnologia elimine fricções internas para que o time na ponta foque na conexão humana e no atendimento consultivo.
Na experiência do consumidor: A era do varejo agêntico não aceita mais jornadas desconectadas. A capacidade de prever necessidades e realizar transações automáticas — desde a descoberta até a logística reversa — é o que manterá a confiança e a fidelidade do cliente em um mercado cada vez mais volátil.
Em outras palavras: quem não conseguir alinhar dados, tecnologia e operação para criar uma experiência de cliente verdadeiramente fluida e autônoma, não só perderá oportunidades de fidelização, mas também enfrentará dificuldades em manter a rentabilidade e a eficiência operacional.
IA Agêntica: A grande mudança de 2026. A IA deixou de apenas "sugerir" para "executar" tarefas de ponta a ponta sem intervenção humana constante.
Rentabilidade sobre Crescimento: O foco das grandes lideranças mudou para a saúde financeira e a eficiência da margem operacional.
Automação Invisível: A tecnologia de sucesso é aquela que o cliente não percebe, mas que libera o colaborador para ser mais humano e consultivo.
Padronização (UCP): O surgimento do Universal Commerce Protocol para que sistemas de diferentes empresas conversem de forma automática.
O Futuro do Varejo com IA
A NRF 2026 demonstrou que o futuro do varejo será definido pela consolidação da inteligência artificial como o sistema operacional das empresas. As marcas que conseguirem implementar protocolos universais e transformar assistentes em agentes de execução estarão à frente da competição.
Enquanto grande parte do mercado ainda discute se a IA deve ser aplicada, algumas empresas já operam com ela no centro da decisão. A Biso nasce exatamente nesse ponto: conectar dados operacionais à inteligência agêntica para transformar decisões em execução.
O varejo de 2026 não será definido pelo que a tecnologia pode sugerir, mas pelo
que ela é capaz de executar para tornar a jornada do cliente invisível e o negócio verdadeiramente rentável.